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Dia Internacional da Mulher




Hoje é o Dia Internacional das Mulheres e o WeCanDoIt não poderia deixar essa data passar em branco. Primeiramente quero desejar um feliz "dia da mulher" para as leitoras do blog. Depois gostaria de compartilhar que devemos lembrar dessa data, pelo seu real sentido: força e atitude. Força e atitude como a daquelas mulheres que queimaram seus sutiãs em praça pública reivindicando igualdade de direitos e respeito às diferenças.
O dia de hoje não é para ganhar rosas ou bombons, é dia de lembrar o tamanho da nossa força, é dia de lembrar que a gente pode, e muito, sem segregar "a diferença", pois ela é elemento fundamental na formação do SER. Hoje é dia de lembrar que não existe sexo frágil, existe mulher. É dia de refletir sobre o sexismo e o machismo  imposto a nós, todos os dias, em todos os lugares. É dia de lembrar de jamais desistir da luta, porque somos muito mais fortes do que julgamos.
Vamos seguir avante seduzindo o mundo de batom vermelho e salto alto, ao mesmo tempo que gritamos o que nos é de direito! We Can Do It!
Depois de dito isso eu tenho três textos muito legais para incar pra vocês: "No dia 8 de março, dispense a rosa", "Fêmea, demasiada fêmea" e "Nietzcheneanas", os dois últimos são de minha autoria.




































fotos: reprodução.


Selecionei essas fotos nos meus arquivos, achei a cara do nosso dia.

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We Can Do It










Anos 20 aos 50: Do direito ao voto à silhueta sedutora





No início do século XX, as lutas pela cidadania feminina foram envoltas por vários obstáculos, preconceito e desrespeito. As mulheres brasileiras não tinham direito ao voto, as operárias cumpriam jornadas de trabalho dobradas de até dezesseis horas e enfrentavam o contínuo assédio sexual dos patrões, as moças das classes média e alta, enfrentavam as barreiras do preconceito que se revestiam mediante o desejo dos pais que aspiravam um “bom” casamento para assegurar o futuro. Percebe-se que as dificuldades encaradas pelas mulheres para obterem sua participação plena na sociedade foram infinitamente grandes, independentes da classe social a que pertencessem.
Contudo, não foi sem razão que o século XX foi chamado de “século das mulheres” período em que muitas de suas reivindicações foram atendidas. (BASSANEZI, p. 293). Evidentemente, a moda dessa época irrompeu intimamente às questões psicológicas mais subterrâneas dos anseios femininos, afirmando as conquistas das mulheres nas décadas do século XX.
Já nas primeiras décadas foi possível observar a presença ativa de vários segmentos profissionais – floristas, operárias, costureiras, garçonetes, professoras etc. Aumentou-se a demanda por trabalho feminino nas áreas que requeriam pessoas com certo grau de escolaridade, porém que aceitassem baixa remuneração. As filhas já recebiam o consentimento dos pais para trabalharem em funções nas áreas burocráticas, comerciais, educação e saúde, com a inserção feminina no mercado de trabalho, a mulher começa a conquistar uma pequena parte de seus direitos civis e sociais. E se a moda capta os anseios de um grupo numa determinada época e segue em sua direção, lá estava ela, de encontro aos desejos femininos dos anos 20.
As mulheres das classes média e alta adotaram uma vestimenta que apresentava um “ar’ pujante, mas ao mesmo tempo feminino, o tailler (traje que teve sua inspiração na roupa de montaria do século XVIII pensada e formulada por Coco Chanel) como forma de auto- afirmação pessoal e profissional expressando seriedade e competência.






As roupas da década de 20 representaram o extremo de liberdade “… e certamente eram um alívio (…) Para começar, reduziram drasticamente o tempo gasto para lavá-las e remendá-las, e também o tempo que se levava para vesti-las ou despi-las”… (LURIE, p. 236).
Ora, as mulheres não podiam perder tempo com mais um obstáculo que as impedissem de conquistar sua cidadania, precisavam trabalhar nas ruas, nas fábricas, nas confeitarias nos restaurantes para alcançarem seus direitos civis e sociais construindo e afirmando sua própria identidade. “…Moda reflete o comportamento das pessoas…” (RICARDO ALMEIDA, estilista).
Idéias e as práticas feministas nunca foram homogêneas. Contudo, as feministas foram unânimes na convicção de que a opressão às mulheres deveria acabar, na rejeição de idéias tradicionais – como a inferioridade natural das mulheres e a necessidade da submissão feminina.” (BASSANEZI, P. 286






Essas idéias se refletiram como uma verdadeira revolução na década de 20, tendo como ápice às saias curtas! Elas foram condenadas e censuradas por meio de decretos, que estabeleciam seu comprimento impondo multa e prisão a quem desobedecesse.
Claro, que essa lei foi em vão, obra do figurinista francês Jacqes Doucet que sentiu os desejos da classe feminina em aniquilar as idéias tradicionais e retrógradas – inferioridade e submissão, as saias curtas revelaram o anseio e a luta por uma afirmação pessoal, pois as mulheres principalmente as mais jovens não aceitavam mais ficarem em casa bordando lenços e camisas. A busca por liberdade e igualdade se refletiu também na vida noturna através dos cinemas, teatros, confeitarias e restaurantes que já podiam ser freqüentados pelas mulheres sem a companhia masculina.
Os chapéus Cloche, apresentavam-se como uma proteção para as mulheres dos anos 20, quase cobrindo os olhos, este adorno tão utilizado, revelou questões bastante incômodas como o receio e a opressão, presentes na sociedade e vivenciadas pelas mulheres. Deixando evidente a dificuldade em transcender uma cultura exclusora e arraigada desde os primórdios.
“Nossa imagem externa é o nosso mensageiro, uma declaração pública. Alguns disfarces estão fortemente ligados aos nossos medos mais íntimos e neste caso a roupa funciona como escudo para nos ocultar e proteger” (Gianni Versace)






A idéia de que domesticidade e assalariamento, reprodução e produção se opunham fez com que as condições do trabalho realizado por mulheres, os baixos salários pagos, a falta de apoio social à criação dos filhos fossem vistos mais “como sintomas da diferença funcional natural entre os homens e mulheres do que causas dos problemas enfrentados pelas trabalhadoras assalariadas”. (BASSANEZI, p. 286)
Tal privação de direitos civis e sociais imposta às mulheres foi sentida pela moda, que lançou o visual andrógeno, inspirado em conceitos masculinos, esta tendência reprimiu e achatou as curvas femininas, porém impôs um novo padrão de feminilidade e simbolizou a luta travada por igualdades entre os sexos. O próprio corpo se transforma (…) as mulheres buscam uma silhueta quase lisa, sem volumes, tanto na frente quanto atrás” (Anônimo), a não aceitação da igualdade entre os sexos, levou os homens a questionarem a masculinização do traje feminino que evidenciava a luta por sua inclusão no mercado de trabalho. “Até a roupa de baile perdeu o bom senso com a febre igualitária, já que nossas senhoras se recusam a parecer mulheres”( Cronista paulista). Como toque final, as mulheres aboliram seus cabelos longos e cacheados aderindo ao novo corte – curto e liso.
A classe feminina adotou estilos considerados estranhos na época, mas que podiam ser entendidos como vestimentas defensivas. Ora, precisavam repelir os ataques preconceituosos da sociedade, uma vez que, até o universo artístico manifestou-se contra as lutas travadas por sua emancipação, realizando campanhas para proteger os privilégios masculinos
Vale ressaltar, que o discurso conservador e preconceituoso dos meios de comunicação fez muitas mulheres relegarem a luta por sua cidadania respaldada em idéias feministas, tidas como incompatíveis com o ideal de beleza, meiguice, feminilidade e resignação.
O final da década de 1920 prenunciou anos difíceis, a economia mundial seriamente abalada vai legando a sociedade sinais de comedimento, dois milhões de desempregados em todo o país, este foi o saldo deixado em 1929 pela grande depressão, que teve como símbolo mundial o craque da bolsa de Nova Iorque; e no Brasil a super safra do café. Contudo, novas conquistas foram alcançadas na década de 1930, após inúmeras lutas, finalmente as mulheres brasileiras de todo o país adquiriram seus direitos políticos votando e se candidatando a cargos políticos. (GOMES, p.22) ”Após a eleição da Assembléia Constituinte de 1934, que teve a primeira escolha de uma representante feminina,…”. (MORAES, p. 508)
A participação da mulher na vida política, em nada se relacionava com ambição ou vaidade, mas sim como um dos pontos do programa feminista que almejava a igualdade entre os sexos.
À moda percebe que as mulheres estão mais atuantes, maduras e seguras do seu novo papel social e concede a classe feminina vestimentas que evidenciam sua nova postura. Saias compridas, vestidos justos e retos com ombreiras refletindo a magnitude desses seres que não cessavam suas lutas pela condição de cidadão. “As roupas são inevitáveis. São nada menos que a mobília da mente tornada visível”. (James Lave, Style in costume).


Na década de 1930  as conquistas não se limitavam aos direitos políticos, alguns direitos sociais também foram alcançados, como a igualdade salarial, regulamentação das jornadas de trabalho e a proibição de demissões a gestantes.
Mais elegante, a classe feminina passou a se vestir com roupas mais práticas e adequadas a sua nova posição na sociedade, abusando dos tons escuros como: cinza, preto e azul-marinho que predominaram nos tailleurs e calças compridas, a maquiagem também adequou-se a esta mulher politizada tornando-se mais acentuada com nuances avermelhadas, essas nuances transmitiram o ar de sobriedade e segurança que as mulheres precisavam transmitir para a sociedade e para se adequarem às exigências profissionais.
A década de 1930 foi constituída de mulheres conscientes, ativas, charmosas e elegantes, características inerentes à alma feminina e fundamentais ao fenômeno moda. Contudo, a guerra viria transformar a indumentária e o comportamento de uma época.
Irrompe a Segunda Grande Guerra, 1939 – 1945 mulheres de todas as posições sociais juntaram-se ao esforço do conflito, além de manterem suas casas, executavam o trabalho de seus maridos e dos demais parentes do sexo masculino.
Com um papel social mais atuante e a duplicação de tarefas domésticas e profissionais a moda investiu em vestimentas práticas sem muitos modismos, marcada por uma funcionalidade, sem excessos de adornos com ombros em forma quadrada e assemelhando-se ao corte das fardas, as saias com pregas finas presas com pences ou franzidas acentuavam as cinturas, as calças compridas adotaram um formato masculino com características de praticidade e o tailleur que assemelhou-se a uniformes virando um costume universal. (LAVER, p. 252).
A moda dos anos 40 assemelhando-se ao corte das fardas, as vestimentas eram práticas sem muitos modismos , marcada por uma funcionalidade. 


Após a guerra e dos vários anos vestidas em trajes masculinazados, à moda sentiu que as mulheres poderiam continuar conquistando e construindo sua cidadania sem abolir a feminilidade e com isso, um novo estilo foi lançado – com uma variedade de modelos e cores de vestidos, saias godês e balonês que ajustavam ainda mais a cintura bem como a valorização do busto. As tendências concediam as mulheres um ar sedutor e feminino na década de 50. (LAVER, p.260).
Na década de 50 com uma variedade de modelos e cores de vestidos, saias godês e balonês que ajustavam ainda mais a cintura bem como a valorização do busto, as mulheres retornaram à feminilidade.


Por Simone Cruz
Simone Cruz é historiadora e docente na área de moda (História da Arte / História da Moda e Produção de Moda) .Desenvolve análises sobre a moda em diferentes âmbitos como: sociológico, histórico e literário.E-mail: simonecruz10@hotmail.com
Esse post saiu daqui: fashionbubbles.com




Moda: Instrumento de afirmação de uma identidade cidadã feminina

Bom tarde, queridas leitoras. Estou a um tempinho sem postar e achei esse texto muito interessante no Fashion Bubbles sobre moda, mulher e cidadania e decidi atualizar esse espacinho aqui. A matéria foi divida em 3 partes, amanhã eu volto. Deleitem-se!



"As mulheres são beneficiárias dos avanços e conquistas da cidadania…fatos freqüentemente ignorados na narrativa histórica, como…a evolução das roupas, mostraram ser cruciais na melhoria da qualidade de vida das mulheres e importantes em suas lutas por valorização social, igualdade de oportunidades e reconhecimento de demandas específicas.” (BASSANEZI, p. 264)

Moda e Cidadania, palavras que estão em voga. “Donas” de conceitos paradoxais e complexos estão presentes em todas as sociedades, permeiam as mentes e os corpos dos indivíduos, expressam desejos ocultos, comunicam-se com o universo e geram atitudes que podem transformar o coletivo.
Afinal, o que é cidadania? Cidadania é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei. Ora, cidadania está intimamente conjugada ao “direito de ter direitos”. (PINSKY, Introdução). T. H. Marshall, autor de um clássico na área das Ciências Sociais – Cidadania, classe social e status, distingue três dimensões básicas da cidadania:
1º Direitos Civis – pensando mediante a idéia de liberdade individual e igualdade.
“…São direitos civis todos aqueles que asseguram a vida, a liberdade, a igualdade e as manifestações de pensamentos e movimentos das pessoas que integram uma sociedade regida por leis” (MARSHALL, p.10)
2º Direitos Políticos – são constituídos, a partir da participação dos indivíduos na política de sua sociedade e na elaboração de leis que asseguram e expandem seus direitos.
“…são aqueles que dizem respeito à participação dos cidadãos no governo de sua sociedade… na feitura das leis que garantem e expandem seus direitos…” (MARSHALL, p.10)
3º Direitos Sociais – suscitados no século XX, para garantir condições de vida e trabalho aos cidadãos de uma sociedade e assegurar uma participação ainda que pequena, na riqueza e bem-estar coletivos – Educação, saúde e trabalho são fundamentais para a concretização dos direitos sociais.
“…, podem ser considerados um desdobramento dos próprios direitos civis, na medida em que garantem a vida, a liberdade e a dignidade moral dos cidadãos que pactuam politicamente” (MARSHALL, p.15)
Desse modo, não há como dissociar a cidadania da questão dos direitos. Dalmo Dallari explica que cidadania é a compilação de direitos que dá a possibilidade ao individuo de participação ativa no âmbito social e político. A ausência de cidadania torna o homem marginalizado ou excluído da vida social. (DALLARI, p. 14)
Em nosso país há os que são mais cidadãos, os que são menos cidadãos e os que nem mesmo ainda são. Para ser cidadão, o indivíduo deve ser multidimensional, isto é, cada dimensão deve articular-se com as demais na busca de um sentido para a vida ou ao menos de uma melhoria social. A busca da cidadania está intrínseca a construção histórica de uma pessoa ou um de grupo, insatisfeitos com uma determinada situação em um determinado tempo. Desse modo, ela é suscitada a partir de uma necessidade do eu, como um desejo individual que se estende ao coletivo mediante trocas de experiências gerando uma conscientização particular




A moda é um fenômeno que capta e segue em direção aos desejos ocultos de uma sociedade, caracterizando-se como um espelho da história. Dener, o grande costureiro brasileiro no início da década de 60, ano da Inauguração de Brasília (Fonte: Revista Veja)
A moda é um fenômeno que capta e segue em direção aos desejos ocultos de uma sociedade, caracterizando-se como um espelho da história em seu ambiente social, político, econômico e cultural. Desse modo, torna-se imprescindível conjugar a questão da cidadania com tal fenômeno, pois são dois conceitos que variam no tempo e no espaço, e que dependem da sociedade para serem construídos e consolidados.
No início do século XX, as lutas pela cidadania feminina foram envoltas por vários obstáculos, preconceito e desrespeito. As mulheres brasileiras não tinham direito ao voto, as operárias cumpriam jornadas de trabalho dobradas de até dezesseis horas e enfrentavam o contínuo assédio sexual dos patrões, as moças das classes média e alta, enfrentavam as barreiras do preconceito que se revestiam mediante o desejo dos pais que aspiravam um “bom” casamento para assegurar o futuro. Percebe-se que as dificuldades encaradas pelas mulheres para obterem sua participação plena na sociedade foram infinitamente grandes, independentes da classe social a que pertencessem.
Como se não bastasse, todas as mulheres que exerciam atividades fora do lar, de carregavam o estigma de desonestas e eram fadadas a conviverem com o obscuro discurso dominante da época – a mãe e a esposa respeitáveis deveriam restringir-se à esfera doméstica, além disso eram acusadas de estarem retirando o trabalho dos chefes de família. Ora, estavam sendo excluídas e conseqüentemente marginalizadas diante da sociedade – privadas dos seus direitos civis políticos e sociais. Portanto, não podendo exercer sua cidadania. (BASSANEZI, p. 284)
Contudo, não foi sem razão que o século XX foi chamado de “século das mulheres” período em que muitas de suas reivindicações foram atendidas. (BASSANEZI, p. 293). Evidentemente, a moda dessa época irrompeu intimamente às questões psicológicas mais subterrâneas dos anseios femininos, afirmando as conquistas das mulheres nas décadas do século XX. “Faça da roupa uma linguagem que reflete as mudanças que se passa na vida” Fernando Lisboa – Jornalista (o homem casual: a roupa do novo século) .




Com estilo e elegância, Gabrielle “Coco” Chanel revolucionou a década de 20, libertando a mulher dos trajes desconfortáveis e rígidos do final do século 19. Chanel foi precursora da mulher moderna.

“…a moda está ligada às modificações que atingem a sociedade em vários aspectos.” A moda no século XX (LIPOVETSKY p. 10)
“…, a moda é formação essencialmente sócio-histórica, circunscrita a um tipo de sociedade” (IDEM, p.02)
“Manifestação da vida sob todas as suas formas, maneira de ser e de se comportar, a moda constitui de fato um observatório privilegiado do ambiente político,econômico e cultural de uma época”. Suas raízes estão no contexto social de um grupo. (VEILLON, p. 07)

Por Simone Cruz
Simone Cruz é historiadora e docente na área de moda (História da Arte / História da Moda e Produção de Moda) .Desenvolve análises sobre a moda em diferentes âmbitos como: sociológico, histórico e literário.E-mail: simonecruz10@hotmail.com
Esse post saiu daqui: fashionbubbles.com

O que as mulheres querem na cama por Clarissa Corrêa

(...)




Afinal, o que as mulheres querem? O que gostam? Mulheres curtem somente filmes com historinhas? Como funciona o universo pornô feminino?

Acho que hoje em dia, por incrível que pareça, ainda existe muito preconceito. Há algumas semanas fui na farmácia e, dentre outras coisas, comprei camisinha. Na fila, senti olhares curiosos e espantados de homens. Oi? Camisinha, conhece? As pessoas têm uma mania incrível de rotular e julgar as outras, o que acho totalmente fora de propósito. O que tem de mais comprar camisinha? Esses olhares esquisitos fazem com que eu me sinta constrangida em chegar para o moço do caixa e entregar o produto com a mesma naturalidade que eu entregaria um remédio para dor de cabeça.
Sexo sempre foi um assunto mais comum entre os homens. Os meninos, quando pequenos, ficam pegando no “tico”, sacudindo, puxando, descobrindo o que é aquele negócio pendurado no meio das pernas. As meninas, não, pois o negócio delas é interno, como assim ficar com a mão na perereca? O que é isso? Não pode. E a coisa toda vai sendo construída dessa forma: o menino cresce, o pai diz pra ele se proteger, compra um pacote de camisinhas e fim de papo. E a menina? Bom, de repente a mãezinha tem o bom senso de levá-la ao médico, de dar algum tipo de orientação. Ou não. Depois, reclamam que a adolescente de 15 anos apareceu grávida. Se o assunto fosse falado e conversado sem aquela tarja preta escrito coisa-que-não-se-fala-na-frente-de-todo-mundo as crianças e adolescentes teriam uma melhor visão do sexo e até mesmo do próprio corpo, afinal, para ter uma vida sexual boa a pessoa precisa se conhecer.
Os homens consomem pornografia como bebem água. No meio do trabalho recebem um e-mail com fotos de mulher pelada ou um vídeo com mulher se masturbando e todo mundo acha natural. Mas, a gente sabe, se um grupo de mulheres se reunir na frente do computador de uma colega no horário do expediente para ver um gostosão com um pau enorme se masturbando, ah, não pode, que horror, piranhas. Infelizmente, o mundo é assim. Algumas coisas já mudaram, outras não. Acho que as mulheres têm vergonha da própria sexualidade.
Muitas das minhas amigas dizem que não se masturbam. Eu acho que se você não conhece o próprio corpo, não sabe onde gosta de ser tocada dificilmente terá prazer total na vida a dois. Muita gente tem vergonha de ter um vibrador, por exemplo. Acham feio, grotesco, agressivo. Hoje em dia, existem milhares de modelos. Você encontra muitas sex shops online, ou seja, ninguém te vê, você escolhe o que quer na segurança da sua casa, eles mandam em caixinhas discretas e ninguém sonha o que tem lá dentro, só você.


Toda mulher quer ser vista. E esse “ser vista” não é ser olhada superficialmente. As mulheres querem ser olhadas no fundo. Do avesso. Toda mulher quer se sentir desejada. Jenna Jameson, na entrevista, falou uma coisa que acredito muito: a mulher quer se soltar tanto com o seu parceiro a ponto de se sentir uma atriz pornô. Porque as mulheres amam o amor, é claro. Adoram ser amadas e cuidadas. Mas as mulheres também querem tirar a roupa, a máscara, tirar tudo e virar outra. No sexo a gente acaba virando outro e, ainda assim, sendo o mesmo.
Não existe uma mulher que nunca tenha olhado-para-o-teto. Olhar para o teto é assim: o sexo tá meia boca, o cara tá curtindo, você tá lá ah-ah-oh-oh louca que a coisa termine e não termina nunca e o cara
continua curtindo e você ah-ah-oh-oh e olha para o teto procurando alguma falha na pintura, alguma teia de aranha, algum mosquito. Aí acaba. Ele goza, você sorri e pensa que-bom-vamos-dormir-agora. Tem mulher que nunca goza. Tem mulher que sempre finge. Tem mulher que finge às vezes. Tem mulher que nunca fingiu. Vou ser sincera: nunca fingi. Acho assim: às vezes a gente goza, em outras não. E tudo bem, não é pecado não gozar. E não gozar não quer dizer que o sexo tava ruim. O problema é quando o olhar para o teto vira regra e não exceção. Tem gente que se acostuma com essa coisa meia boca. Muitos têm medo de conversar sobre sexo, fantasias, posições preferidas, desejos, etc.
O casal tem que estar aberto para a conversa. Você fala como gosta, ele diz o que prefere. Mas ambos precisam se enxergar. Não adianta um só se esforçar. É claro que ninguém é máquina sexual, existem períodos de baixa e de alta. Muitas vezes você está com mais tesão, em outras fica sem vontade. A vontade de transar depende de muitos fatores. O cansaço e a correria muitas vezes falam mais alto. Os problemas no trabalho também. A própria relação do casal influencia. Se as coisas não estão legais é difícil o sexo rolar legal. Mas uma coisa é certa: sexo não segura relacionamento. Não adianta você achar que vai segurar o cara dando shows toda a noite. Isso não sustenta nenhuma relação.



E quando as coisas estão mornas? Compre uma lingerie nova, alguns brinquedinhos ou fale. Sim, falar ajuda bastante, principalmente se você disser tudo que tem vontade de fazer. É preciso ter coragem, se
libertar de pequenas vergonhas ou aquele velho o-que-ele-vai-pensar. É claro que o cara também tem que ter noção. Se você já comprou coisinhas novas e ele nem se manifestou, converse. Pergunte o que está havendo.
Mas o que as mulheres querem? Toda mulher quer que o homem olhe pra ela com vontade. Que ela enxergue nos olhos dele esse-cara-realmente-quer-me-comer. Que ele não seja previsível. Que beije muito. Que preste atenção nas preliminares, que são essenciais. Que pegue, pegue com força. Segure pelo cabelo, beije a nuca, o pescoço. Que faça massagem. Que entre no chuveiro para tomar banho junto. Que tenha ideias e seja criativo. Que acenda velas, que prepare o ambiente. Nenhuma mulher quer um cara que se deite, daqui a pouco fique de pau duro, dê dois beijinhos e parta pra cima. Não! E tem outra: mulheres têm dias mais amorosos (ou seja, você precisa dar mais carinho, beijinho, olhar no olho, ser amoroso) e dias menos amorosos (ou seja, você pode puxar cabelo, dar tapa na bunda e falar putaria que tá tudo certo). Mulheres também gostam de filmes e de putaria, não são só os homens. Quem pensa assim tá muito enganado. Hoje em dia cresce cada vez mais os filmes pornôs dirigidos por mulheres. É bom lembrar que não é só a mulher que precisa estar cheirosinha, o homem também precisa se cuidar. E, principalmente, conquistar.
Homens têm a mania do egoísmo. Pense na sua mulher. Mande uma mensagem no meio do dia dizendo tudo que quer fazer com ela mais tarde. Escreva um e-mail mais caliente. Mande para o trabalho dela uma caixa com uma calcinha bonita dentro. Leve ela em algum lugar especial com os olhos vendados. Crie. Reinvente a relação. Mas nunca, nunca esqueça: preste atenção na sua mulher. O que a mulher mais quer é se sentir única, desejada, saber que só ela excita o homem que está ao lado dela. Se você conseguir fazer sua mulher se sentir única e especial na cama a vida de vocês fora dela vai se tornar muito melhor.
Texto de Clarissa Corrêa. Acesse o blog da autora: http://clarissacorrea.blogspot.com/


Compartilhando um texto muito bom que li a algum tempo com vocês, leitoras! Para refletir
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Rosie The Riveter

Rosie The Riveter ou Rose Will Monroe foi representada em um dos cartazes mais famosos do mundo, que tornou-se ícone cultural do feminismo e da mulher trabalhadora. Rosie representa as mulheres americanas que trabalhavam nas fábricas durante a Segunda Guerra Mundial. Essas mulheres tomaram os postos de trabalho substituindo os trabalhadores do sexo masculino que estavam nas forças armadas.Por isso sua imagem é comumente usada como símbolo do feminismo e do poder econômico das mulheres.


Rosie sempre andava de farda e tinha corpo musculoso, mas mantinha sua feminilidade através do lenço vermelho amarrado na cabeça, Riveter vem de rebite que eram parafusos dos revestimentos dos aviões.
As mulheres se tornaram força de produção, principalmente na indústria militar, para preencher a falta de mão de obra provocada pela ida dos soldados para a guerra na Europa e no Pacífico. Após a Guerra houveram campanhas governamentais destinadas às mulheres e aos maridos, que não concordavam com a 'nova situação', para fazer com que elas voltassem aos afazeres domésticos diários e/ou aos antigos postos de trabalho destinados à elas. A maioria concordou, no entanto, algumas mulheres continuaram a trabalhar nas fábricas.
De acordo com a Enciclopédia da História Econômica americana "Rosie the Riveter" inspirou um movimento social que aumentou o número de mulheres norte-americanas inseridas no mercado de trabalho, em sua diversidade, em 1944. 

A verdadeira Rosie
Encontrei alguns questionamentos na internet em torno do termo - "We Can Do It", do símbolo - a mulher trabalhando para a Guerra (óh!) e no significado - feminismo, inclusive o pós-moderno. 
Sou super adepta do bordão: We can do it, inclusive é o nome do meu blog. Acho que alguns conceitos antifeministas são frutos de um choque cultural. Naquele tempo a mulher queria se sobressair e participar da sociedade da qual fora sempre marginalizada. Essa foi a chance que tiveram de demonstrar que PODIAM, na origem mesmo da palavra. Claro, agora o estado precisava mais do que nunca da força de trabalho de quem quer que seja, tendo em vista a guerra, óbvio, e a mulher foi mais uma vez uma marionete. 
E também é óbvio também que os EUA estão errados em incitar a guerra, sou completamente contra, assim como os Japoneses que também não são santos, mas claro Hiroshima foi uma desumanidade tremenda! Mas será culpa de Rosie? um símbolo de um movimento que teve como pano de fundo uma guerra, e não o contrário. O importante foi a luta pelo direito de exercer seu papel de mulher, trabalhadora, operária, cidadã e presente na sociedade, e que  viu uma oportunidade, uma brecha do Estado, que por sua vez usou o movimento a seu favor e a favor da guerra. 
É preciso que os papéis estejam delimitados e não se invertam. Hoje, podemos ver tudo de cima, usar a cuca e tirar o cabresto!
Por isso, acho sim, Rose the River um simbolo do feminismo e do poder da mulher. As mulheres não só podem como devem ocupar o mercado de trabalho, sem rótulos ou classificações por gênero, mesmo que as circunstâncias da época tenham sido catastróficas, como a de qualquer outra guerra ou de um estado repressor. 

ps. O documentário 'The Life and Times of Rosie the Riveter' aborda a história de Rosie.




We Can Do It!
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